Mato Grosso registra 20 partos de adolescentes por dia, segundo Ministério da Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado. O levantamento do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde, aponta que 7.310 partos foram de jovens entre 15 e 19 anos, além de 324 recém-nascidos de mães menores de 14 anos. São cerca de 20 partos por dia.
Além de expor o resultado de casos de estupro de vulnerável, os dados evidenciam uma realidade vivida no cotidiano, que reflete no abandono escolar e na falta de perspectiva de futuro que as jovens mães passam a viver. “É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, comenta Emanuele Costa, psicóloga no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal.
Emanuele Costa conta que muitas meninas buscam atendimento no Cras por conta própria, mas também são encaminhadas pelas unidades de saúde. No atendimento, as adolescentes são ouvidas, acolhidas e orientadas sobre o acesso a diversos benefícios socioassistenciais. Um dos principais problemas observados pela psicóloga envolve a evasão escolar. Seja por vergonha, riscos à saúde durante a gestação e necessidade de repouso, ou, após o parto, pela dificuldade de conciliar os cuidados do puerpério com a rotina de estudos, muitas desistem das aulas.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”. A profissional observa que muitas das meninas grávidas são imediatistas, sem compreensão dos impactos que a gestação vai provocar a longo prazo em suas vidas.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”. Na rotina do atendimento, a psicóloga também percebe que os genitores são ausentes na maioria dos casos e as jovens buscam o serviço acompanhadas, principalmente, pelas próprias mães.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”.
Fonte: GD



